domingo, 30 de junho de 2013

Abstinência


Porque é que gostamos das coisas que gostamos?
E se eu tivesse outros gostos, outras coisas?
E se tivéssemos outras memórias, outras músicas,
outros toques, outros pensamentos, outros significados...
Não é que eu não goste de mim mesmo. Não é.
Mas não existe dentro de mim  aquele amor de Narciso.
Estou perdido. Perdido porque não sou como tu, mas
e se eu fosse? Não seria eu.
Não seria o bastardozinho da cidade pequena cheio de 
mistério e... Cheio de pensamentos inconsistentes como estes.
Na verdade, tenho sorte e não a vejo.
Não é que eu não queira ser você,
eu só queria ser alguém que você olhasse,
e assim como eu olho pra ti, logo se apaixonasse;
Como eu. 

São estas merdas.
Estes pensamentos inconsistentes, que vem e voltam.
Esta solidão. Este quarto escuro.
Este gato preto.
Este violão.
Este cérebro.
Este corpo.

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